A Morte Lenta – Saguenail e João Alves

«Gesuniala espera. Os homens empurram as charruas e cavam a terra. Apanham pedras e reconstroem muretes. Mesmo as árvores queimadas parecem no seu lugar dentro da paisagem outonal. Na véspera chuviscou, a terra amoleceu, os cogumelos cresceram durante a noite e os caracóis medrosos reapareceram. Só faltam as folhas secas, pensa Gesuniala. As que têm nas nervuras a reprodução do desenho das linhas das nossas mãos, lembra-se ele. Portanto nenhuma me pode representar. Quer-me parecer que ainda não vou morrer este ano. O que conta não é a folha, é a árvore. Os homens nos campos entoaram um canto de trabalho para labutarem com mais alento. Uma voz masculina debita as estrofes e todos retomam o refrão em coro. Dei uma rosa à minha amada Quis meu amor confessar Não murches, rosa encarnada Para sempre a hei-de amar. As rosas voltarão a florir, pensa Gesuniala, só há natureza humana. Lembra-se de que tem como função guardar a paisagem. Basta-lhe olhá-la para se sentir útil.»

Douda Correria#96

A Morte Lenta – Saguenail escreveu e João Alves ilustrou

(traduzido do francês por Regina Guimarães/ composição de Joana Pires)

primeira publicação – em francês – pela Hélastre em 2006

 

Lançamento em Lisboa: 27 JUN | das 18h30 às 21h | Cossoul

– Abertura com Maria do Mar ao violino
– Breve apresentação do livro a A MORTE LENTA de Saguenail, com leituras de textos do livro pelo autor e convidados, sobre fundo de imagens projectadas do livro da autoria de João Alves.
– Projecção da curta-metragem de Saguenail com cenografia de João Alves intitulada MAU DIA.
– Curto making-off do mesmo intitulado UAM AID que evoca brevemente a origem e a feitura do filme.

https://www.facebook.com/events/1399730033518080/

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Lançamento/ Festa do 5º aniversário da Douda Correria no Porto

22 DEZ | 18H| Café CCOP

https://www.facebook.com/events/755625631451656/

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Fotografia: Paulo Ansiães Monteiro

 

 

SERGE ABRAMOVICI dito SAGUENAIL. Nasceu em 1955, na cidade de Paris. Foi docente na UM, na ESMAE, na ESAP e na FLUP, onde ensinou língua e cultura francesas, pedagogia, literatura e cinema. Autor de uma vasta bibliografia (entre ensaios universitários e poesia, passando pela narrativa curta, pelo teatro e pela crítica) e filmografia (que inclui ficções e documentários), tem vindo a interrogar os códigos literários, cinematográficos e sociais. Fundou a revista de cinema «A Grande Ilusão» e é membro da associação «Os filhos de Lumière». De 2002 a 2013, foi programador e animador do ciclo anual «O Sabor do Cinema», no Museu de Serralves, e desde 2015 do ciclo «Nove e meia» integrado no projecto «Cultura em expansão» da Câmara do Porto. Anima actualmente o programa «O Saber do cinema», cineclube de rua. É membro-fundador do Centro Mário Dionísio/Casa da Achada. Vive e trabalha com Regina Guimarães des de 1975. Hélastre é o signo da sua obra comum.

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[João Alves, n. 1983, Porto]

Criativo obsessivo desde 2000, pintor de bolso e de mural, músico cheio de filmes, engenheiro de som e de engenhocas, personagem em 2 filmes, ilustrador amnésico, formador e formando de presidiários, jardineiro de poetas e entre outras actividades inclassificáveis também membro dos colectivos Arara, Faca Monstro e Marvellous Tone.

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Douda Correria/ Mia Soave no facebook:

https://www.facebook.com/doudascorrerias/

Contacto/Pedidos:

doudacorreria107@gmail.com

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