Iluminuras – Théodore Fraenckel

ELEGIA

X. não compreendeu ainda como lhe resta pouco tempo de vida.
Outrora, os grandes lagos eram a esperança querida de um abrigo.
Da infância, o que nos resta é esta visão académica
quando, suave, no tom do quadro,
leve se sente o esboroar do espírito…
Contudo, a vida nem sempre é uma constante aventura.
Por vezes, a chuva deixa-nos ver um pouco mais longe
na curta distância de nós mesmos
e o que resta é uma curta fragância,
o perfume do espírito.
Sim, A. ainda não compreendeu como vai longe
o tempo da esperança e da ternura.
Antes, belos cromos em páginas finas
tinham o condão de por um milagre súbito
de equilíbrio,
da imaginação recobrir
o sonho (a loucura).
O tempo dos velhos amigos tinha, contudo, acabado há muito…
Daí, esta noção, que em nós ainda persiste,
de uma absinta angústia.
Que digo? Decerto X. ainda não percebeu, apesar da doença,
que a morte e a vida
não passam de uma quimera, xadrez –
abstractas ilusões de consistência nenhuma.
Por isso compreendo o gesto de A., mal se senta à mesa –
um copo de vinho bebe, olha em frente
e mais uma página folheia do livro, maculadíssimo.
(Ao entardecer, à tarde – Oh, o fugaz encanto dos gestos perdidos).

 

Douda Correria#89

Iluminuras – Théodore Fraenckel

(foto de capa de Ângelo Negro/ composição por Joana Pires)

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Imprensa/ Blog´s

Observador | por Joana Emídio Marques/ referência a Iluminuras de Théodore Fraenckel| 02.12.2018:

https://observador.pt/especiais/joaquim-manuel-magalhaes-um-poeta-nao-domesticavel/?fbclid=IwAR3LibU7hQQ1M74TTfjCvkQydkJ9GWH8Fqf6MwB5btkftP8Yd-hw6fZ1Q2o

 

 

Jornal i | por Elisabete Marques | 18.10.2018:

https://ionline.sapo.pt/artigo/630663/como-um-pensamento-que-encrespa-as-imagens?seccao=Mais_i&fbclid=IwAR2RqwgyLqPP_229HZOPOgW6ATB1433ZGpVINv292lm43n0j7kQEkka2ORI

 

Blog Antologia do Esquecimento | por Henrique Manuel Bento Fialho | 28.09.2018:

https://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2018/09/iluminuras.html

 

Jornal Expressopor Manuel de Freitas| 09.2018:

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Nota de Edição

Théodore Fraenckel, segundo julgamos saber, nasceu em 1900 e faleceu a 3 de Julho de 1950.

Durante a maior parte da vida exerceu o cargo de professor de Português em Bruxelas. Personagem obscura, a sua obra encontra-se sobretudo dispersa por jornais e revistas. Em vida publicou apenas um livro: La Géante (Lipstick Traces, Bruxelas, 1950). De si próprio, nas conversas de taberna das noites de Bruxelas, ao som dos discos de Fréhel ou de Johnnie Ray, dizia ser um “imagista surrealista perturbado pela leitura dos clássicos” – ou coisas como: “Estou vivo, ao que dizem – embora alguns, depois de me lerem, tenham dúvidas”. Alguns dos seus poemas foram publicados, não se sabe bem por quem nem porquê, no número único da revista O Lírio Quebrado (Porto, sem data) ou mais recentemente no nº5 da Bumerangue (Guimarães, 1993). A sua obra, em prosa e em verso, permanece (e deverá permanecer) inédita.

Na capa deste volume utilizou-se uma fotografia de Ângelo Negro, no verso da qual se podia ler a inscrição a lápis: algures em Itália, anos 80.

 

 

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