Canto Nono – Nuno Moura

«ainda os carteiros andavam a pé
e a água com gás era no mar e o sangue grosso diluía estendia-se a roupa nos areais
e ainda conhecíamos as pessoas da nossa vida
ainda se entrava e saía deste país
com a ligeireza de um empregado de mesa
ainda ninguém abusava da sua posição
a não ser para lançar filhos ao ar
o homem do talho pendurava corações excelentes
há muito se tinha abandonado a ideia dos números oficiais procuravam-se ataques de fome deitando fogo a tocas
e daí nada surgia
a não ser um maior entendimento da terra
e dos seus camaleões sonolentos
farejadores de novas estradas»

douda correria#01
Canto Nono – Nuno Moura
(capa de Beatriz Bagulho / grafismo de Pedro Serpa)

#01.jpg

2ª edição

cantonono2ªediçao1

 

 

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